quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CINECLUBE: DIA 11/12 CANCELADO

Caros alunos,

Infelizmente teremos de cancelar a sessão do cineclube nesta quinta 12/11. Estamos com um problema logístico e mudaremos de local de realização.

Grato,

Organização.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CINECLUBE FASE 2!

Todas as quintas, durante o período do curso. 20h.
Cabíria Café (413/14 Norte). Entrada Franca. Seguido de debate com os professores do curso e convidados. Pipoca, gentileza e bom humor = grátis também.


05/11: Pai e filha (Banshun). Japão. 1949. 108 min. Dir.: Yasujiro Ozu – Trabalho divisor de águas do mais importante cineasta clássico japonês, Pai e Filha conta a complexa relação entre uma filha já velha para casar, mas que precisa disso, e um pai que precisa dela para cuidar de si, mas precisa deixar a filha seguir seus passos. Filmes de raríssima delicadeza.



12/11: O Homem Que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valence). EUA. 1962. 119 min. Dir.: John Ford – Clássico crepuscular do faroeste, este filme projeta o gênero para a modernidade, fazendo uma revisão crítica das lendas e do imaginário que circundam o velho oeste. Utilizando dois dos expoentes máximos do gênero, John Wayne e James Stewart, Ford narra a história do senador que, anos após o ocorrido, resolve revelar a verdade sobre a morte do facínora Liberty Valence.




19/11: Jules e Jim (Jules et Jim). França. 1962. 104 min. Dir.: François Truffaut – Encabeçando as novas ondas cinematográficas que varreram o mundo nos anos 60, Truffaut, em seu segundo filme, retrata, com as charmosas particularidades de seu cinema, um curioso triângulo amoroso que se passa à época da primeira guerra mundial. Jules e Jim é considerado um dos maiores filmes de amor já realizados.



26/11: 8 ½. Itália. 1963. 145 min. Dir.: Federico Fellini – Famoso por seu teor autobiográfico, 8 ½ talvez seja a obra mais completa e inspirada de Fellini. Na pele do grande ator Marcello Mastroianni, o cineasta Guido vive uma crise de criatividade e existencial, passando a reexaminar suas vivências e seus conceitos, projetando uma intensa reflexão cinematográfica sobre a vida, a humanidade e as relações sociais.




03/12: Tarnation. EUA. 100 min. Dir.: Jonathan Caouette – Questionando com radicalidade os formatos documental ou ficcional, Tarnation começou a ser produzido quando Caouette tinha apenas 11 anos de idade. O filme, altamente polêmico, conta, através de filmagens caseiras e fotos de família, a complicada vida do próprio diretor, que cresceu sob os auspícios de uma problemática mãe esquizofrênica.



10/12: A Concepção. Brasil. 96 min. Dir.: José Eduardo Belmonte – Segundo filme de Belmonte, o mais consagrado diretor brasiliense da nova geração, A concepção traz, com fortes cargas de ironia e acidez, a história de um grupo de jovens que abdica de suas identidades para viver em prol de uma coletividade hedonista. Beirando o absurdo, Belmonte mostra com propriedade sua visão sobre a juventude brasiliense.






*sinopses críticas por Ciro Inácio Marcondes, professor e produtor do Curso História do Cinema Mundial.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

FASE 2 - INSCRIÇÕES




INSCRIÇÕES ENCERRADAS

Local das aulas:

Museu Nacional da República (Eixo Monumental, próximo à Catedral e à Rodoviária)

Datas e horários: clique aqui

* Siga-nos no







INSCRIÇÕES A PARTIR DE AMANHÃ (22/10)

As incrições para a FASE 2 do 1º CURSO DE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL se iniciam AMANHÃ, QUINTA-FEIRA, DIA 22/10.

Você poderá realizá-la das DUAS seguintes formas:

1 - Fazendo o dowloand da ficha, que estará disponível aqui mesmo neste blog a partir de amanhã, e reenviando-a preenchida para cinemamundial@gmail.com

2 - Indo a qualquer uma das Lojas CULT VÍDEO e preenchendo a ficha de papel.

Obs. 1: NÃO estarão sendo realizadas inscrições no Museu Nacional da República.

Obs. 2: Por favor, tenha certeza de que frequentará os cursos antes de se inscrever.

Em ambos os casos, as vagas são limitadas.

No caso da inscrição online, as vagas serão preenchidas por ordem de inscrição, sendo verificado o horário de chegada do e-mail na nossa caixa.

Para quem não conseguir se inscrever a tempo e se interessar em ver o curso como ouvinte, estes serão inscritos como ouvintes.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

HCM: FASE 2!

Em novembro começará a FASE 2 do 1º CURSO DE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL no MUSEU NACIONAL DA REPÚBLICA. As inscrições ocorrerão a partir do dia 22 de outubro.

Os quatro novos módulos, com quatro novos professores, serão os seguintes:

Módulo Cinema Clássico: busca entender como se formou a tradição clássica hollywoodiana e de outros países. Que aspectos ideológicos e de linguagem formataram esta tradição? O Cinema clássico ao redor do mundo: Howard Hawks nos EUA, Yasujiro Ozu no Japão, Jean Renoir na França, entre muitos outros. Gêneros clássicos: faroeste, filme noir, melodrama, etc. Seis aulas. Nas quartas-feiras, dias 04, 11, 18 e 25 de novembro; 02 e 09 de dezembro. 08h-12h.

Professor: Ulisses de Freitas é jornalista, especializado em assuntos culturais. Escreveu críticas de cinema para o Correio Braziliense e para o site Candango, onde é editor. Participou da organização, programação e produção de mostras e festivais de cinema.

Módulo Cinema Moderno: a partir do neo-realismo italiano nos anos 40 e 50, o cinema dos anos 60 reinventa as vanguardas e radicaliza padrões estéticos e ideológicos precedentes. As “novas ondas”, chefiadas pelos franceses (Godard, Truffaut, Resnais), percorrem o mundo: Brasil (Glauber Rocha, Sganzerla), Itália (Fellini, Antonioni), Alemanha (Herzog, Wenders), entre outros. Seis aulas. Nas quintas-feiras, dias 05, 12, 19 e 26 de novembro; 03 e 10 de dezembro. 08h-12h.

Professor: Anderson Melo é professor das áreas de cinema, literatura e
multimeios, atualmente desenvolve pesquisa de mestrado sobre a poética
cinematográfica de Federico Fellini.

Módulo Documentário Contemporâneo: as radicais transformações que o formato documental passou através dos anos e sua atual tendência a questionar o formato “clássico” e descobrir formas inusitadas de reavaliar o conceito de “documentar”. Quatro aulas. Dias 05, 12, 19 e 26 de novembro. 14h-18h.

Professor: Getsemane Silva é diretor, produtor e pesquisador de cinema. Realizou 8 documentários média-metragem nos modos observacionais e expositivos. É especialista em Documentário pela Universitat Autónoma de Barcelona. Foi produtor executivo de mais de 20 documentários para a TV Câmara, e é gerente de conteúdo e programação da mesma.

Módulo Cinema de Brasília: o percurso da linguagem cinematográfica na cidade, desde os primórdios até a bem-sucedida configuração como “pólo de cinema” e a criativa produção atual. Quatro aulas. Nas quartas-feiras, dias 04, 11, 18 e 25 de novembro. 14h-18h.

Professor: Fábio Crispim é mestre em Teoria Literária pela UnB, professor da UEG (Universidade Estadual de Goiás) e do IESB. Tradutor de filmes, vem trabalhando, desde 2002, na área de traduções e legendagem eletrônica em diversos eventos como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Festival Internacional do Rio, o Festival Internacional de Brasília, entre outros.

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Em breve, mais informações sobre as inscrições.

Para os que concluíram os cursos da FASE 1, a produção do evento avisa que os CERTIFICADOS serão emitidos no final do ano, junto com os CERTIFICADOS DA FASE 2.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

IMPORTANTE - AULA 6 DE CINEMA CONTEMPORÂNEO

Caros alunos,

Informamos que a última aula do curso de CINEMA CONTEMPORÂNEO, com o professor Pablo Gonçalo, foi adiada para a próxima QUINTA-FEIRA, dia 06/08, às 14h. Ou seja, mesmo dia e horário da aula regular. Contamos com a presença de todos para finalizar a primeira fase do curso.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

CINECLUBE # 6: THE PASSING + FESTA!


Convidamos a todos que compareçam ao Cabíria (413 N), às 20h desta quarta (28/07), para assistir a "The Passing" (1991), de Bill Viola:

Considerado o mais importante filme experimental das últimas décadas, The passing realiza uma imersão espiritual nos temas do nascimento, da vida e da morte. Fugindo da narrativa e penetrando no universo da sensação e do simbólico, Bill Viola criou uma experiência inquietante para o espectador comum de cinema.

Além da professora-residente do nosso cineclube, a artista plástica e professora Polyanna Morgana, contaremos, no debate, com a presença da também artista plástica e professora da UnB Nivalda Assunção.

O clima na pequena sala do Cabíria (20 lugares), além de charmoso, é formatado como sessões à moda antiga: comemos, bebemos e batemos papo durante a projeção. Ah, e a pipoca é de graça! Logo após o cineclube, festa de encerramento da primeira fase do HCM!

ENTRADA FRANCA

quarta-feira, 22 de julho de 2009

CINECLUBE # 5: EU, UM NEGRO


Convidamos a todos que compareçam ao Cabíria (413 N), às 20h desta quarta (22/07), para assistir a "Eu, um negro" (1958), de Jean Rouch, um dos documentários mais importantes da história, que dá voz a dois nigerianos que buscam a vida numa África de recém-implementada modernização.

Além do professor-residente do nosso cineclube, o documentarista José Geraldo, contaremos, no debate, com a presença do também documentarista Adirley Queirós, premiado no Festival de Brasília e realizador do filme "Nós Vivendo", aguardado curta de 2009 que adapta Camus para um contexto da Ceilândia.

O clima na pequena sala do Cabíria (20 lugares), além de charmoso, é formatado como sessões à moda antiga: comemos, bebemos e batemos papo durante a projeção. Ah, e a pipoca é de graça! Se houver demanda, faremos outra sessão às 23h. Compareçam e divulguem!

ENTRADA FRANCA

segunda-feira, 20 de julho de 2009

COMUNICADO - IMPORTANTE

Caros alunos,

Devido a um evento ligado à Presidência da República que ocorrerá no Museu Nacional nesta próxima quarta-feira (22/07), NÃO HAVERÁ AULA DO CURSO HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL neste dia. As aulas, relativas aos módulos "Documentário Clássico" e "Cinema Silencioso", foram remanejadas para as seguintes datas:

Documentário Clássico: Quarta-feira, 29/07, das 8h às 12h.
Cinema Silencioso: Terça-feira, 28/07, das 14h às 18h.

Caso tenham dúvidas, escrevam para cinemamundial@gmail.com

att.

Produção HCM

sexta-feira, 17 de julho de 2009

INVENÇÃO DO CINEMA

Pessoal, vou postar alguns pequenos textos (de minha autoria) que resumem de alguma forma tópicos essenciais da história do cinema mudo; coisas que vimos nas aulas. O primeiro deles será este, que recapitula os aparelhos do séc. XIX e chega até o cinema de atrações.

O cinema foi inventado em várias localidades diferentes, e mais ou menos ao mesmo tempo. O século XIX viu surgirem, após o advento da fotografia na década de 1820, inúmeros aparelhos ópticos que tinham como função buscar efeitos de ilusão relacionados à imagem em movimento. Era assim, por exemplo, o quinetoscópio, inventado pela equipe de Thomas Edison. O aparelho exibia uma tira giratória com imagens simples, como dançarinas em movimento, que podiam ser vistas através de um pequeno visor.

A busca pela imagem em movimento que poderia ser projetada em uma tela prosseguiu naqueles anos pioneiros, em que a imagem fotográfica passava a se tornar um importante veículo de comunicação, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. A exibição pública e paga que os irmãos Lumière fizeram no Grand Café, em Paris, em 28 de dezembro de 1895, em geral é considerada a data inaugural do cinema. Dois meses antes, porém, os alemães Max e Emil Skladanowsky já haviam feito projeções em Berlin. Edison também faria exibições nos Estados Unidos pouco depois.

O cinematógrafo, aparelho inventado pelos comerciantes de produtos fotográficos Louis e Auguste Lumière, porém, apresentava várias vantagens em relação às invenções semelhantes: era ao mesmo tempo câmera, projetor e copiador, além de ser mais leve e funcional e utilizar a velocidade de projeção de 16 quadros por segundo – padrão muito mais próximo do cinema atual.

A mecânica que possibilita o cinema analógico é simples: as imagens são captadas através de um processo fotoquímico e inscritas em uma fita de celulóide, suporte fotográfico flexível que permite ao filme deslizar sobre o projetor. Cada uma destas pequenas fotografias é um fotograma, e são necessários milhares de fotogramas projetados sequencialmente em uma velocidade determinada para que se possa exibir uma cena cinematográfica curta e criar a ilusão do cinema. Atualmente, os filmes são exibidos na velocidade de 24 fotogramas por segundo.

Os primeiros filmes, que datam de um período que se localiza mais ou menos entre as primeiras imagens (1894) até os preparativos para a constituição da narrativa cinematográfica padrão (1907) percorreram o caminho errante das experimentações e das artes populares que os precederam. Os filmes eram exibidos em teatros de variedades, para públicos de classe média interessados em todos os tipos de novidades e artes: lado a lado com os curtíssimos primeiros filmes, shows de dança, pequenas encenações, declamações de poesia e performances de todos os tipos eram realizadas nestes ambientes. Depois, o cinema passou também a ser exibido em feiras e circos, aumentando sua popularidade entre as classes operárias. Os filmes, conhecidos hoje como “cinema de atrações”, tinham mais a intenção de fascinar, maravilhar e entreter do que propriamente de narrar histórias. Números de mágica auxiliados por cortes cinematográficos, assim como historietas fantásticas, números cômicos, imagens de lugares exóticos e encenações de fatos importantes para a época eram muito populares.
Ciro I. Marcondes

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Para aqueles que ainda não viram, aí está "Viagem à Lua", de Georges Meliès, que não mostrei em sala, mas é de fácil acesso:


terça-feira, 14 de julho de 2009

CINECLUBE # 4: O PÂNTANO

Convidamos a todos que compareçam ao Cabíria (413 N), às 20h desta quarta (15/07), para assistir a um filme fundamental para cinematografia latinoamericana dos anos 2000. "O Pântano", de Lucrecia Martel, filme de clínico olhar sobre a burguesia argentina, lançou a diretora ao patamar de uma das mais importantes do cinema conetmporâneo.

Alem do professor-residente do nosso cineclube, Pablo Gonçalo, contaremos, no debate, com a presença de Adalberto Muller
, professor da UFF (RJ) e um dos mais importantes pensadores do cinema e das relações entre mídias no Brasil.

O clima na pequena sala do Cabíria (20 lugares), além de charmoso, é formatado como sessões à moda antiga: comemos, bebemos e batemos papo durante a projeção. Ah, e a pipoca é de graça! Se houver demanda, faremos outra sessão às 23h. Compareçam e divulguem!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

CINECLUBE # 3: O LIVRO DE CABECEIRA


Convidamos a todos para que compareçam ao Cabíria (413 N), às 20h desta quarta (08/07), para assistir a um dos filmes mais intrigantes dos anos 90. "O Livro de Cabeceira", de Peter Greenaway, é uma das obras que melhor e mais enigmaticamente aborda questões como a arte e o corpo, o cinema e a vida.

Alem do professor-residente do nosso cineclube, Ciro I. Marcondes, contaremos, no debate, com a presença de Fábio Crispim, pesquisador da radicalidade do cinema contemporâneo.

O clima na pequena sala do Cabíria (20 lugares), além de charmoso, é formatado como sessões à moda antiga: comemos, bebemos e batemos papo durante a projeção. Ah, e a pipoca é de graça! Se houver demanda, faremos outra sessão às 23h. Compareçam e divulguem!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

CINECLUBE # 2: LÍRIO PARTIDO


Convidamos a todos para que compareçam ao Cabíria (413 N), às 20h desta quarta (01/07), para assistir a mais um importantíssimo clássico do Cinema Silencioso. Trata-se de "Lírio Partido", de D.W. Griffith, que traz um tocante e provocativamente atual romance inter-étnico envolvendo Lillian Gish, considerada a maior atriz do cinema silencioso.

Alem do professor do módulo de cinema mudo, Ciro I. Marcondes, contaremos, no debate, com a presença do jornalista Ulisses de Freitas, um dos maiores conhecedores de cinema da cidade, e que será nosso professor na segunda fase do curso.

O clima na pequena sala do Cabíria (20 lugares), além de charmoso, é formatado como sessões à moda antiga: comemos, bebemos e batemos papo durante a projeção. Ah, e a pipoca é de graça! Se houver demanda, faremos outra sessão às 23h. Compareçam e divulguem!

terça-feira, 23 de junho de 2009

CINECLUBE # 1: AURORA

Novidades no Cineclube HCM!

Como já sabem, nossa primeira exibição será do atemporal clássico do diretor alemão F.W. Murnau: Aurora (1927).

Porém, como a sala do Café Cabíria é charmosamente pequena (lotação de 20 lugares), resolvemos fazer do nosso cineclube uma sessão dupla. Então, haverá a primeira sessão às 20h, seguida de debate entusiasmado; e depois realizaremos uma outra sessão, às 23h, para quem ficou com água na boca, ok?

O primeiro debate, nesta quarta, dia 24, terá como convidado especial ninguém menos do que Sérgio Moriconi - crítico, ensaísta, professor, diretor, jornalista -, um homem que carrega consigo grande parte da responsabilidade por esta disseminação louca da cultura cinematográfica pela cidade. Devemos muito a Sérgio Moriconi, e é uma honra recebê-lo no nosso curso, que se inaugura nesta quarta, também.



Juntamente com o Sérgio estará debatendo o professor e produtor do Curso, Ciro I. Marcondes, responsável pelo módulo de Cinema Silencioso.



Podem vir, que não vai faltar bate-papo, cinema e pipoca.

terça-feira, 16 de junho de 2009

VIDA E MORTE DO CINEMA SILENCIOSO


Cinema mudo ou silencioso?

Para começar uma pequena discussão que preceda o início das nossas atividades no curso (esquente), algumas palavrinhas sobre este misterioso módulo do cinema antigo. Em primeiro lugar, por que chamá-lo de “silencioso” e não “mudo”, como estamos já habituados? Bem, a princípio para haver uma unificação com a terminologia de língua inglesa (silent film), que é o lócus que intensifica cada vez mais os estudos deste cinema. Os franceses, mais conservadores (e ainda preservando o velho charme), ainda gostam da terminologia popular (cinéma muet), mas é principalmente com estudos de historiadores americanos como David Bordwell, Charles Musser e Eileen Bowser que este nicho dos estudos de cinema avança enormemente. O problema terminológico é um tanto bobo. Eu mesmo gosto da simpatia chauvinista pela termo “mudo”. A justificativa dada é que estes filmes são silenciosos (questionável, como veremos quando abordarmos o som no cinema mudo), mas dizem algo, não são mudos. Ora, as pessoas mudas também são, hm, digamos, silenciosas, mas também dizem coisas perfeitamente, não é? Mesmo assim, fiquemos com a elegância do termo silencioso, já que ele introjeta bem a ideia de que este cinema, hoje um tanto esquecido, ainda possui uma massiva, porém sub-reptícia, influência sobre o cinema contemporâneo. Se pegarmos o nosso cinema de hoje, é fácil vislumbrar a influência de Eisenstein em Walter Salles (Abril Despedaçado) ou de Carl T. Dreyer em Luís Fernando Carvalho (Lavoura Arcaica, A Pedra do Reino).

A poética silenciosa

Bem, é de comum acordo entre pesquisadores da tela silenciosa que este cinema é radicalmente diferente dos talkies (como foram chamados, à época do surgimento do som sincronizado – circa 1927 –, os filmes falados). O grande humanista Saulo Pereira de Mello chegou a me dizer que se tratam de artes diferentes. Em certo aspecto, é uma opinião fortemente respeitável. Tenho um palpite de que o silêncio destes filmes silenciosos nos reconduz a uma relação diferente com a imagem projetada, a imagem recortada, a imagem pura e espectral. Há um clássico (e um tanto em desuso) termo cunhado por Louis Delluc, a fotogenia, que sublima nossas inquietações em relação à imagem em si. Não se pode explicar o arrebatamento que a imagem pura nos provoca; ela apenas enche os olhos, se infiltra pelos poros. Quando recortamos um “pedaço de realidade” e o transferimos para uma película projetada numa tela, essa “realidade” se duplica, e essa duplicação (eu poderia dar uma viajada na psicanálise lacaniana, mas vou me abster disso) nos provoca esse arrepio, esse arrebatamento. O código frouxo da montagem, as associações livres que fazemos (reflexão tão bem erigida por Eisenstein ao longo de décadas), nos permitem fazer esse mergulho no mundo; no mundo capturado, um mundo em cativeiro, de impressões e curiosidades intermináveis. Esse código fluido e difuso das imagens (por que vocês acham que o cinema mudo foi tão hospitaleiro com a vanguarda, o experimental e o abstrato?), quando atravessado por um código invasor – o código da língua, do diálogo, das palavras – é deixado para trás em prol de uma visão mais organizadora e racional do mundo. Esse encanto da imagem pura, do fluxo e do infinito cede passagem a uma ordenação natural da narrativa; uma ordenação que diz mais à parte de nós que pensa com palavras do que àquela que pensa com imagens. Nasce o cinema clássico, com seus musicais e comédias amalucadas. Nesse sentido, concordando com Saulo, os talkies mataram uma arte e criaram outra. Não seria a última morte do cinema, mas certamente foi a de mais penoso luto.

Ciro I. Marcondes

Para ilustrar, deixo aqui um fabuloso trecho de "A última gargalhada", de Murnau, filme concebido inteiramente sem palavras, letreiros ou inter-títulos.




terça-feira, 9 de junho de 2009

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

As inscrições para Fase 1 do Curso estão encerradas.

Devido à grande procura, ampliamos o número de vagas para 50 inscritos por módulo, além de mais vagas para ouvintes.

A confirmação dos inscritos está sendo feita por email para cada participante até o dia 12/06.

Agradecemos a compreensão de todos.

Convidamos todos para a fase 2, cujas inscrições se iniciam em setembro!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

INSCRIÇÃO



DADOS ATUALIZADOS SOBRE O CURSO!

  • O período de inscrições para a Fase 1 estava previsto até o dia 20 de junho de 2009. No entanto, a procura foi intensa e já se esgotaram as vagas ( 09/06/09).
  • Cada módulo comportará 50 alunos inscritos (devido à imensa demanda, aumentamos de 30 para 50 vagas por módulo) que ganharão um certificado por módulo completado.
  • Para ganhar o certificado, o aluno precisará de 75% de presença nas aulas.
  • Alunos ouvintes (que participarão do curso, mas não estarão inscritos) são bem-vindos! Vocês receberão email de confirmação também.
  • As inscrições pela internet foram feitas a partir da FICHA DE INSCRIÇÃO online (disponível até o limite de vagas - período já encerrado), sendo preenchidas e reenviadas para cinemamundial@gmail.com
  • As inscrições impressas foram feitas na Rede de lojas da Cult Vídeo (107 Norte, 204 Sul, 210 Sul ou 215 Sul).
  • Promoção: quem levar nosso flyer impresso (distribuído em pontos da cidade) até a Cult Vídeo ganhará 25% de desconto na locação de dois ou mais filmes!

ATENÇÃO:

As inscrições para a Fase 2 se iniciam em setembro.

  • Este projeto faz parte do Programa Cinema no Museu.
  • Entre em contato pelo cinemamundial@gmail.com ou siga-nos no

Patrocínio:






Apoio:







quarta-feira, 27 de maio de 2009

1º CURSO HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL

A crescente cultura cinematográfica de Brasília ganha um evento muito importante para a sua consolidação. O curso História do Cinema Mundial fará uma imersão, durante quatro meses, nos diversos movimentos e tendências que transformaram a sétima arte desde seu período silencioso até as radicais experimentações contemporâneas. O Museu Nacional da República, local ideal para as aulas (porque acessível e central à população) sediará o projeto.

Dividido em oito módulos ministrados por pesquisadores, professores, cineastas e cinéfilos da cidade, a maioria de uma jovem e promissora geração, o curso tem como proposta recapitular aspectos importantes da história do cinema para formar e estabelecer bases para uma cultura cinematográfica sólida, que tem consciência das inúmeras variações do fenômeno audiovisual e de suas expressivas possibilidades comunicativas. O curso terá duas fases, que compreenderão os meses de junho/julho e novembro/dezembro de 2009.

É significativa a influência e a força da linguagem audiovisual no imaginário do século XX, e ainda mais neste incipiente século XXI. A conscientização a respeito do que significa e como se processa este fenômeno, assim como o reconhecimento de suas transformações ao longo do tempo, são fundamentais para que o cinema seja entendido como ferramenta de reflexão estética, política ou existencial. Saber “ler” o cinema desenvolve substancialmente a capacidade de “ler” o mundo contemporâneo.

Além das aulas, o Curso ainda contará com Cineclube gratuito e simultâneo ao período das aulas, com títulos relacionados ao conteúdo dos períodos do cinema abordados, sendo complementar aos alunos e uma oportunidade de diálogo com o público da cidade.

O curso será inteiramente gratuito e concederá certificados àqueles que completarem cada módulo, sendo que cada módulo funcionará como um curso autônomo, o que não impede os estudantes de se inscreverem em mais de um deles. As aulas terão quatro horas de duração e o número de aulas varia de acordo com o módulo.

Baixe a FICHA DE INSCRIÇÃO para a Fase 2 a partir do segundo semestre (inscrições encerradas para FASE 1) aqui no blog a partir de setembro e reenvie-a preenchida para cinemamundial@gmail.com

FASES, MÓDULOS E PROFESSORES

Fase 1 – junho/julho

Módulo 1 – Cinema Silencioso: investigará desde o chamado “cinema das origens”, no séc. XIX, até as grandes transformações operadas por cineastas revolucionários como Griffith, Eisenstein e Murnau, procurando entender a natureza própria da tela silenciosa.

Datas: 24/06, 01/07, 08/07, 15/07, 22/07, 29/07.
Período: 14-18h. Quarta à tarde, durante 6 semanas.

Professor: Ciro I. Marcondes é crítico e professor de Cinema pelo Unicesp (DF), e mestre em Literatura pela UnB. Traduziu a “A Narrativa Cinematográfica”, de Jost e Gaudreault. Publicou em sites como Cinequanon, Candango e SenhorF, e nas revistas Jungle Drums e Cerrados.

Módulo 2 – Cinema Contemporâneo: como o cinema de hoje procura alternativas para decodificar as complexas realidades nas quais estamos inseridos. Desde os filmes de super-heróis em Hollywood até os radicalismos estéticos do novo cinema oriental.

Datas: 25/06, 02/07, 09/07, 16/07, 23/07, 30/07.
Período: 14-18h. Quinta à tarde, durante 6 semanas.

Professor: Pablo Gonçalo é mestre em Comunicação pela UnB e professor de Cinema do IESB. Crítico de cinema, publicou no Correio Braziliense, Contracampo, Menemocine e Candango. É também diretor de cinema e foi curador da mostra Memórias do Subdesenvolvimento.

Módulo 3 – Documentário Clássico: a linguagem documental desde seus primórdios até a consolidação do padrão clássico, ordinal e referencial.

Datas: 01/07, 08/07, 15/07, 22/07.
Período: 8-12h. Quarta pela manhã, durante 4 semanas.

Professor: José Geraldo é formado em Cinema e mestrando em Comunicação, na linha de pesquisa Imagem e Som. Produziu vários curtas-metragens e outros produtos audiovisuais e escreveu, dirigiu e montou seu primeiro documentário – “Oiticica” - em 2005.

Módulo 4 – Poéticas Contemporâneas: como a videoarte e o cinema experimental contribuem para renovar a linguagem cinematográfica e propor desafios à consciência e ao imaginário audiovisual.

Datas: 02/07, 09/07, 16/07, 23/07.
Período: 08-12h. Quinta pela manhã, durante 4 semanas.

Professor: Polyanna Morgana é artista plástica e professora universitária. Atua nas áreas de performance, videoarte, instalação, intervenção urbana e desenho. É mestre em Artes pela Universidade de Brasília, onde também lecionou entre os anos de 2006-2008.

Fase 2 – novembro/dezembro

Módulo 5 – Cinema Clássico: busca entender como se formou a tradição clássica hollywoodiana e de outros países. Que aspectos ideológicos e de linguagem formataram esta tradição? O Cinema clássico ao redor do mundo: Howard Hawks nos EUA, Yasujiro Ozu no Japão, Jean Renoir na França, entre muitos outros. Gêneros clássicos: faroeste, filme noir, melodrama.

Seis aulas. Um mês e meio de duração.

Módulo 6 – Cinema Moderno: a partir do neo-realismo italiano nos anos 40 e 50, o cinema dos anos 60 reinventa as vanguardas e radicaliza padrões estéticos e ideológicos precedentes. As “novas ondas”, chefiadas pelos franceses (Godard, Truffaut, Resnais), percorrem o mundo: Brasil (Glauber Rocha, Sganzerla), Itália (Fellini, Antonioni), Alemanha (Herzog, Wenders), entre outros.

Seis aulas. Um mês e meio de duração.

Módulo 7 – Documentário Contemporâneo: as radicais transformações que o formato documental passou através dos anos e sua atual tendência a questionar o formato “clássico” e descobrir formas inusitadas de reavaliar o conceito de “documentar”.

Quatro aulas. Um mês de duração.

Módulo 8 – Cinema de Brasília: o percurso da linguagem cinematográfica na cidade, desde os primórdios até a bem-sucedida configuração como “pólo de cinema” e a criativa produção atual.

Quatro aulas. Um mês de duração.

CINECLUBE HCM

Todas as quartas, durante o período do curso. 20h.
Cabíria Café (413/14 Norte). Entrada Franca.
Seguido de debate com os professores do curso e convidados.

Programação*:

26/06: Aurora (Sunrise). EUA, 1927. 90 min. Dir.: F.W. Murnau – O famoso “filme americano” realizado pelo grande Murnau (Nosferatu) conta a história de um fazendeiro que, seduzido por uma moça da cidade, tenta assassinar sua esposa, mas o arrependimento o leva a tentar provar seu amor. Fortemente influenciado pela estética expressionista, trata-se de um dos filmes mais belos e poéticos da era muda.



01/07: Lírio Partido (Broken Blossons). EUA, 1919. 102 min. Dir.: D.W. Griffith – Considerado o filme mais intimista e despretensioso de D.W. Griffith (o homem que formatou a narrativa clássica do cinema) – e por muitos o seu melhor – , Lírio Partido conta a história de uma jovem pobre de Londres (Lillian Gish, em seu papel mais famoso) que se apaixona por um imigrante chinês.



08/07: O Livro de Cabeceira (The Pillow Book). Inglaterra, 1996. 123 min. Dir.: Peter Greenaway – Procurando fazer uma aproximação obsessiva entre o texto literário, o corpo e o próprio cinema, o filme conta a história de uma jovem japonesa que busca realização intelectual e erótica procurando homens que pintem poemas em seu próprio corpo. Explorando exaustivamente a metalinguagem, O livro de cabeceira é ao mesmo tempo encantador e perturbador.



15/07: O Pântano (La Ciénaga). Argentina. 2001. 100 min. Dir.: Lucrecia Martel – Este filme abre a década de 00 para toda uma sequência de filmes latino-americanos que abordam a classe média e a intimidade familiar. Realizado sob uma estética crua e hostil, conta a história dos complicados conflitos de duas famílias argentinas que passam uma temporada juntas.



22/07: Eu, Um Negro (Moi Un Noir). França, 1958. 73 min. Dir.: Jean Rouch – Um dos mais importantes trabalhos do documentarista Jean Rouch, que solidificou os modelos de cinema-verdade e cinema etnográfico, este filme retrata a vida de dois imigrantes nigerianos que procuram algum futuro na cidade de Treichville, na Costa do Marfim, revelando as disparidades da modernização na África, já nos anos 50.



29/07: The Passing. EUA, 1991. 54 min. Dir.: Bill Viola – Considerado o mais importante filme experimental das últimas décadas, The passing realiza uma imersão espiritual nos temas do nascimento, da vida e da morte. Fugindo da narrativa e penetrando no universo da sensação e do simbólico, Bill Viola criou uma experiência inquietante para o espectador comum de cinema.




04/11: Era Uma Vez Em Tóquio (Tokyo Monogatari). Japão. 1953. 134 min. Dir.: Yasujiro Ozu – Trabalho monumental do mais importante cineasta clássico japonês, Era uma vez em Tóquio conta, com a economia habitual na montagem e no simbolismo, as relações entre um casal de idosos que viaja a Tóquio para visitar seus filhos, revelando um choque de culturas que emerge com o Japão modernizado.



11/11: O Homem Que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valence). EUA. 1962. 119 min. Dir.: John Ford – Clássico crepuscular do faroeste, este filme projeta o gênero para a modernidade, fazendo uma revisão crítica das lendas e do imaginário que circundam o velho oeste. Utilizando dois dos expoentes máximos do gênero, John Wayne e James Stewart, Ford narra a história do senador que, anos após o ocorrido, resolve revelar a verdade sobre a morte do facínora Liberty Valence.



18/11: Jules e Jim (Jules et Jim). França. 1962. 104 min. Dir.: François Truffaut – Encabeçando as novas ondas cinematográficas que varreram o mundo nos anos 60, Truffaut, em seu segundo filme, retrata, com as charmosas particularidades de seu cinema, um curioso triângulo amoroso que se passa à época da primeira guerra mundial. Jules e Jim é considerado um dos maiores filmes de amor já realizados.



25/11: 8 ½. Itália. 1963. 145 min. Dir.: Federico Fellini – Famoso por seu teor autobiográfico, 8 ½ talvez seja a obra mais completa e inspirada de Fellini. Na pele do grande ator Marcello Mastroianni, o cineasta Guido vive uma crise de criatividade e existencial, passando a reexaminar suas vivências e seus conceitos, projetando uma intensa reflexão cinematográfica sobre a vida, a humanidade e as relações sociais.




02/12: Tarnation. EUA. 100 min. Dir.: Jonathan Caouette – Questionando com radicalidade os formatos documental ou ficcional, Tarnation começou a ser produzido quando Caouette tinha apenas 11 anos de idade. O filme, altamente polêmico, conta, através de filmagens caseiras e fotos de família, a complicada vida do próprio diretor, que cresceu sob os auspícios de uma problemática mãe esquizofrênica.



09/12: A Concepção. Brasil. 96 min. Dir.: José Eduardo Belmonte – Segundo filme de Belmonte, o mais consagrado diretor brasiliense da nova geração, A concepção traz, com fortes cargas de ironia e acidez, a história de um grupo de jovens que abdica de suas identidades para viver em prol de uma coletividade hedonista. Beirando o absurdo, Belmonte mostra com propriedade sua visão sobre a juventude brasiliense.






*sinopses críticas por Ciro Inácio Marcondes, professor e produtor do Curso História do Cinema Mundial.